{"id":12306,"date":"2025-08-20T19:22:44","date_gmt":"2025-08-20T22:22:44","guid":{"rendered":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/?p=12306"},"modified":"2025-10-02T11:42:30","modified_gmt":"2025-10-02T14:42:30","slug":"saude-mental-se-nao-cuidar-ela-pode-faltar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/saude-mental-se-nao-cuidar-ela-pode-faltar\/","title":{"rendered":"SA\u00daDE MENTAL: SE N\u00c3O CUIDAR, ELA PODE FALTAR!"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Maria Isabel da Silva*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea ainda associa psiquiatria a loucura, obsess\u00e3o demon\u00edaca ou dist\u00farbio moral, voc\u00ea est\u00e1 no s\u00e9culo errado, estacionou l\u00e1 atr\u00e1s, mais precisamente no s\u00e9culo 19. Por\u00e9m, as pessoas do s\u00e9culo 20 e 21, principalmente as maduras, na faixa dos 40, 50 anos, viveram uma juventude em que se obrigaram a ser mais do que podiam!! A vencer barreiras, enfrentar desafios e a empunhar a bandeira da autossufici\u00eancia. A que custo? Muitas vezes ao custo da ansiedade, depress\u00e3o, tristeza cr\u00f4nica, cansa\u00e7o, exaust\u00e3o&#8230; \u00c9ramos fortes e inderrot\u00e1veis, estud\u00e1vamos, trabalh\u00e1vamos, cuid\u00e1vamos do marido, filhos, casa, m\u00e3e, pai, sobrinhos, sogra, sogro e ainda sobrava espa\u00e7o para passear, ir a academia, cabeleireiro, unhas, m\u00e3o, p\u00e9, depila\u00e7\u00e3o, pele, c\u00edlios, maquiagem, dietas&#8230; Ningu\u00e9m se assumia exausta, extenuada, absolutamente necessitada de cuidado, aten\u00e7\u00e3o e tempo para fazer nada, absolutamente nada, a pausa t\u00e3o necess\u00e1ria que comp\u00f5e a melodia da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas s\u00f3 as mulheres? E os homens? Para esses sempre foi ainda pior: o r\u00f3tulo de provedor e as cobran\u00e7as da sociedade para se portar como chefe da casa, macho, pai, filho, genro, tio, amigo e, acima de tudo, trabalhador nunca deram espa\u00e7o para \u201cmimimis\u201d, para olhar para o pr\u00f3prio peito e reconhecer a tristeza, a insatisfa\u00e7\u00e3o, a exaust\u00e3o, a ansiedade (muitas vezes entorpecida aos finais de semana com bebidas, uma ap\u00f3s outra). Engole o choro e segue! Foi o que a maioria aprendeu no s\u00e9culo 20.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de tantos deveres, boletos e obriga\u00e7\u00f5es, com a casa, com os filhos, com as responsabilidades assumidas e os compromissos pendentes h\u00e1 ainda os sentimentos e pensamentos que concorrem contra. Incertezas, ci\u00fames, inseguran\u00e7as, negatividade, pessimismo, s\u00e3o apenas alguns dos desafios \u00edntimos, jamais assumidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas estamos no s\u00e9culo 21, crescemos e hoje vemos o que seria imposs\u00edvel anos atr\u00e1s: a sa\u00fade mental precisa ser cuidada, cultivada, para n\u00e3o faltar. <strong>&nbsp;<\/strong>Mas, esse n\u00edvel de consci\u00eancia requer auto-observa\u00e7\u00e3o, autocuidado. Nem sempre as pessoas se d\u00e3o conta que muitos dos sentimentos cotidianos s\u00e3o sofrimentos ps\u00edquicos e que precisam de cuidados. Em lugar disso, muitos resolvem afogar as m\u00e1goas, mergulhar nos afazeres de sempre, ou \u201cencher a cara\u201d e sair dirigindo por a\u00ed: moto, carro, bicicleta, ajudando a inflar as estat\u00edsticas: no Brasil, mais de 10 mil mortes anualmente, milhares de interna\u00e7\u00f5es e centros de reabilita\u00e7\u00e3o abarrotados de pacientes s\u00e3o provenientes da combina\u00e7\u00e3o perigosa \u00e1lcool e dire\u00e7\u00e3o, que se origina da afli\u00e7\u00e3o \u00edntima, da vontade de fugir \u201cn\u00e3o sei de que, n\u00e3o sei pra onde\u201d. Todos sabemos que \u00e1lcool e dire\u00e7\u00e3o s\u00e3o impr\u00f3prios, mas talvez um desejo suicida de acabar com o cen\u00e1rio imut\u00e1vel em que a pessoa se inseriu a leve a adotar posturas insanas e homicidas. Nem sempre \u00e9 simples reconhecer que precisamos de apoio profissional para o que n\u00e3o damos conta sozinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Dra. Bruna Rossi \u00e9 uma psiquiatra que atua como assistente de justi\u00e7a na \u00e1rea da Psiquiatria, contribuindo com avalia\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas e laudos t\u00e9cnicos, integrando-se ao sistema de justi\u00e7a para promover uma compreens\u00e3o embasada e sens\u00edvel das complexidades da sa\u00fade mental. Ela afirma que, muitas vezes, as emo\u00e7\u00f5es, quando manifestadas com intensidade incontrol\u00e1vel, podem sinalizar que o indiv\u00edduo n\u00e3o possui mais recursos internos para lidar com frustra\u00e7\u00f5es e limita\u00e7\u00f5es, reagindo de forma exacerbada e impulsiva, gerando risco a si mesmo e ao seu entorno.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs transtornos mentais s\u00e3o definidos justamente por essa incapacidade de, por si s\u00f3, controlar tais emo\u00e7\u00f5es e sintomas, devido \u00e0 aus\u00eancia de recursos ps\u00edquicos e, muitas vezes, biol\u00f3gicos. Quando os sintomas s\u00e3o intensos o suficiente para tornar a vida do indiv\u00edduo disfuncional, considera-se a presen\u00e7a de um transtorno mental\u201d, explica a psiquiatra.&nbsp; Segundo a especialista, uma pessoa com sofrimento constante por ci\u00fame, ansiedade ou instabilidade emocional pode estar enfrentando dificuldades de v\u00e1rias ordens ps\u00edquicas, por falta de seguran\u00e7a emocional, al\u00e9m de sofrer com desconfian\u00e7as geradas por interpreta\u00e7\u00f5es distorcidas da realidade. Pode ainda estar com um quadro de ansiedade ou depress\u00e3o n\u00e3o tratado, em que os pensamentos se tornam descontrolados, acelerados, catastr\u00f3ficos, com sentimentos de menos-valia e ru\u00edna, impactando negativamente em seu ju\u00edzo cr\u00edtico e no controle de impulsos.<\/p>\n\n\n\n<p>Dra. Bruna destaca ainda, que as pessoas, em geral, n\u00e3o se reconhecem como portadoras de transtorno mental porque, muitas vezes, os sintomas se instalam de forma progressiva, e a percep\u00e7\u00e3o de sofrimento ou disfun\u00e7\u00e3o \u00e9 mascarada por tentativas de adapta\u00e7\u00e3o. E sabemos que existe o estigma social e a hist\u00f3rica nega\u00e7\u00e3o da necessidade de ajuda psicol\u00f3gica ou psiqui\u00e1trica.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo 19, os transtornos emocionais ou mentais eram tratados com correntes, segrega\u00e7\u00e3o, tortura, seda\u00e7\u00e3o e isolamento. Mas estamos no s\u00e9culo 21. Os recursos hoje s\u00e3o inovadores e transformadores. Qualquer pessoa que sinta que n\u00e3o est\u00e1 mais conseguindo lidar com as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es e pensamentos, que apresenta dificuldades nos relacionamentos ou repete padr\u00f5es de comportamento nocivos, pode estar se autossabotando devido \u00e0 falta de estabilidade emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGeralmente, quem est\u00e1 nessa condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o percebe a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. No entanto, ao observar mais atentamente seu funcionamento di\u00e1rio, pode identificar sinais como dificuldades para dormir, pensamentos acelerados, descontrolados ou catastr\u00f3ficos, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, des\u00e2nimo, retraimento social, sensa\u00e7\u00e3o constante de estar no limite, oscila\u00e7\u00f5es frequentes de humor, al\u00e9m de altera\u00e7\u00f5es no sono e no apetite\u201d, afirma a Dra. Bruna Rossi, acrescentando que se esses sintomas estiverem &nbsp;presentes na maior parte do tempo, durante a maior parte dos dias, \u00e9 um forte indicativo da presen\u00e7a de sofrimento ps\u00edquico ou transtorno mental, ainda que tempor\u00e1rio. \u201cProcurar ajuda psiqui\u00e1trica pode ser fundamental para restaurar o equil\u00edbrio e a qualidade de vida\u201d, recomenda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.-Bruna-Rossi.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-12307\" style=\"width:596px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.-Bruna-Rossi.webp 1024w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.-Bruna-Rossi-300x225.webp 300w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.-Bruna-Rossi-768x576.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Dra. Bruna Rossi<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Outra psiquiatra brilhante, a Dra. Gabriela Stump, \u00e9 do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP e atua no Laborat\u00f3rio de Psicopatologia e Terap\u00eautica Psiqui\u00e1trica. Ela destaca que hoje os tempos s\u00e3o outros e que est\u00e1 havendo uma mudan\u00e7a de paradigma em compara\u00e7\u00e3o h\u00e1 20 anos, por exemplo quando ela se formou m\u00e9dica psiqui\u00e1trica. Hoje h\u00e1 mais consci\u00eancia e menos resist\u00eancia em buscar ajuda. \u201cPrecisamos observar que h\u00e1 presen\u00e7a de adoecimento mental quando nos sentimos mais sens\u00edveis e chorosos do que de costume, irritabilidade exacerbada, sensa\u00e7\u00e3o de ansiedade, preval\u00eancia de cansa\u00e7o frequente, altera\u00e7\u00e3o de ciclo de sono ou aus\u00eancia de sono reparador, al\u00e9m de altera\u00e7\u00f5es de apetite \u2013 comer demais e comer de menos \u2013 esses s\u00e3o alguns ind\u00edcios de que podemos estar precisando de cuidados profissionais\u201d, destaca a m\u00e9dica Dra. Gabi, como \u00e9 conhecida.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma dica importante \u00e9 termos consci\u00eancia de nossas impot\u00eancias. E todos somos impotentes, em algum campo da vida. \u00c9 normal! Ningu\u00e9m \u00e9 onipotente. Outro ponto importante a ser observado, segundo ela \u00e9 entender que n\u00e3o existe limite que separa a quest\u00e3o f\u00edsica da mental. \u201cEstudos recentes revelam que a presen\u00e7a de inflama\u00e7\u00e3o de baixo grau \u00e9 um dos fatores respons\u00e1veis por diversos problemas de sa\u00fade f\u00edsica, como cardiovasculares e aumento do risco de c\u00e2ncer e consequentemente de ansiedade, depress\u00e3o e tamb\u00e9m Alzheimer. E, por outro lado, os problemas de sa\u00fade mental acarretam dores f\u00edsicas, musculares, sintomas gastrointestinais e dores de cabe\u00e7a, entre outros. Nosso c\u00e9rebro n\u00e3o est\u00e1 fora do corpo, e ambos \u2013 f\u00edsico e mental \u2013 se interligam\u201d, ensina a Dra. Gabi.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.Gabriela_Easy-Resize.com_-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12309\" style=\"width:590px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.Gabriela_Easy-Resize.com_-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.Gabriela_Easy-Resize.com_-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.Gabriela_Easy-Resize.com_-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.Gabriela_Easy-Resize.com_-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Dra.Gabriela_Easy-Resize.com_-1.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Dra. Gabriela Stump<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para o m\u00e9dico fisiatra Prof. Dr. Andr\u00e9 Tadeu Sugawara, a sa\u00fade mental se relaciona a aspectos emocionais, sociais e ps\u00edquicos e a literatura aponta que os determinantes sociais e ps\u00edquicos impactam na gera\u00e7\u00e3o e controle de doen\u00e7as e condi\u00e7\u00f5es que geram a aquisi\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia f\u00edsica. \u201cEstes mesmos fatores tamb\u00e9m impactam na funcionalidade, na inclus\u00e3o social, na dignidade e percep\u00e7\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o expl\u00edcita que retroalimentam a sa\u00fade mental, num ciclo por vezes dif\u00edcil de se romper\u201d, destaca o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Dr. Andr\u00e9 Sugawara, que \u00e9 professor titular de Medicina F\u00edsica e Reabilita\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; FMUSP, destaca que a redu\u00e7\u00e3o da mobilidade n\u00e3o se vincula somente a presen\u00e7a de uma defici\u00eancia. \u201cDiversas pessoas e grupos populacionais apresentam rotinas esvaziadas, centradas no isolamento social, em que o r\u00e1dio e a TV s\u00e3o os \u00fanicos companheiros. Guerras, conflitos, viol\u00eancia urbana e rural, agress\u00f5es, restri\u00e7\u00e3o e car\u00eancia socioecon\u00f4mica, entre outras tantas condi\u00e7\u00f5es que deterioram a sa\u00fade mental, tamb\u00e9m restringem a mobilidade\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a maioria de n\u00f3s atribui a cada um o esfor\u00e7o e a determina\u00e7\u00e3o para identificar fragiliza\u00e7\u00e3o no estado mental, Dr. Andr\u00e9 exp\u00f5e uma vis\u00e3o mais ampliada e estende a abrang\u00eancia da responsabilidade sobre a sa\u00fade mental ao \u00e2mbito governamental, em que, segundo ele, s\u00e3o important\u00edssimas pol\u00edticas p\u00fablicas de aten\u00e7\u00e3o global, que garantam direitos b\u00e1sicos para viver, alimentar-se, ter moradia, educa\u00e7\u00e3o, emprego, renda, recrea\u00e7\u00e3o, esporte, cultura, lazer, mobilidade e acesso a&nbsp; todos os espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse aspecto social est\u00e1 contemplado na defini\u00e7\u00e3o de \u201csa\u00fade mental\u201d pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), que define os fatores que comprometem a sa\u00fade mental, como condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas expressas na restri\u00e7\u00e3o financeira e baixos n\u00edveis de escolaridade, condi\u00e7\u00f5es ambientais (viol\u00eancia, exclus\u00e3o social), biol\u00f3gicas e sociais (mudan\u00e7as r\u00e1pidas, trabalho estressante, discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero), al\u00e9m de fatores individuais como vulnerabilidade psicol\u00f3gica e a exposi\u00e7\u00e3o a experi\u00eancias adversas. A OMS define que a sa\u00fade mental n\u00e3o \u00e9 apenas a aus\u00eancia de doen\u00e7a, mas um estado de bem-estar no qual o indiv\u00edduo \u00e9 capaz de gerir o estresse, trabalhar de forma produtiva e contribuir para a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CAMINHOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O fato de o Dr. Andr\u00e9 atribuir aos gestores p\u00fablicos a responsabilidade sobre a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o pode significar um al\u00edvio, porque tira exclusivamente de cada pessoa a \u201cculpa\u201d por n\u00e3o saber lidar com os desafios internos e externos. O importante, no entanto, e talvez a pista principal para o alcance da sa\u00fade mental, esteja n\u00e3o em tratar ou curar, mas em saber lidar com os anseios, afli\u00e7\u00f5es, ang\u00fastias, desejos, expectativas e frustra\u00e7\u00f5es que assolam a mente e que s\u00e3o relativamente comuns a todos os humanos. O primeiro passo \u00e9 reconhec\u00ea-los.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/andre-sugawara_Easy-Resize.com_-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12310\" style=\"width:675px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/andre-sugawara_Easy-Resize.com_-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/andre-sugawara_Easy-Resize.com_-300x300.jpg 300w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/andre-sugawara_Easy-Resize.com_-150x150.jpg 150w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/andre-sugawara_Easy-Resize.com_-768x768.jpg 768w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/andre-sugawara_Easy-Resize.com_.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Dr. Andr\u00e9 Tadeu Sugawara<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para o psic\u00f3logo cl\u00ednico, especialista em direito empresarial, Dr. Ricardo Bispo Junqueira Costa, as press\u00f5es de uma sociedade complexa, que imp\u00f5e al\u00e9m do trabalho e press\u00e3o acad\u00eamica, uma \u201cexacerba\u00e7\u00e3o do consumo\u201d e \u201cvaloriza\u00e7\u00e3o maior de quest\u00f5es externas do que quest\u00f5es internas&#8221; contribuem sobremaneira para a perda da sa\u00fade mental e o agravamento de transtornos mentais. Ele ressalta que muitas vezes a pessoa n\u00e3o tem como interferir diretamente no destino das circunst\u00e2ncias, tais como o rumo das pol\u00edticas p\u00fablicas, e diante da tend\u00eancia em gerar frustra\u00e7\u00e3o, o indiv\u00edduo deve desenvolver capacidade de lidar com a frustra\u00e7\u00e3o, se poss\u00edvel com apoios externos como terapias e psicoterapias. Olhem a\u00ed novamente a pista aparecendo: saber lidar.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar \u00e9 f\u00e1cil, mas como lidar com sentimentos cotidianos como ci\u00fame ou inveja, que a gente muitas vezes nem se d\u00e1 conta, aquela invejinha do dia a dia em que a gente v\u00ea o vizinho trocar de carro, a vizinha sempre viajando, o colega promovido de novo e a sensa\u00e7\u00e3o de derrota, a impress\u00e3o de que todos est\u00e3o voando e n\u00f3s engatinhando? Para o Dr. Ricardo, ci\u00fame e inveja, entre outros sentimentos s\u00e3o comuns ao ser humano, por\u00e9m rejeitados socialmente. \u201cA condi\u00e7\u00e3o humana abriga sabores e dores. Alguns podem ou n\u00e3o comprometer a sa\u00fade mental, isso depender\u00e1 da constru\u00e7\u00e3o do ser ao longo da vida. Entendo que a Psicoterapia \u00e9 uma ferramenta n\u00e3o s\u00f3 de cura ou atenua\u00e7\u00e3o da dor, mas tamb\u00e9m de um apoio ao desenvolvimento do ser, especialmente para lidar com essas horas dif\u00edceis. Humanas, mas dif\u00edceis\u201d, ressalta. Ele destaca tamb\u00e9m que todos devemos ter a certeza de que viveremos situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o previs\u00edveis e o caminho est\u00e1 em se \u201cestruturar\u201d para ultrapassar os revezes inevit\u00e1veis da vida enquanto ser social e individual, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever tudo o que nos vai acontecer. Estruturar para lidar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RicardoJunqueira_Easy-Resize.com_-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12311\" style=\"width:685px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RicardoJunqueira_Easy-Resize.com_-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RicardoJunqueira_Easy-Resize.com_-300x300.jpg 300w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RicardoJunqueira_Easy-Resize.com_-150x150.jpg 150w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RicardoJunqueira_Easy-Resize.com_-768x768.jpg 768w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/RicardoJunqueira_Easy-Resize.com_.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Dr. Ricardo Bispo Junqueira<\/em> <em>Costa<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 aqui, os profissionais ouvidos nessa reportagem nos mostraram que estar com a sa\u00fade mental comprometida ou fragilizada necessariamente n\u00e3o significa doen\u00e7a, portanto, n\u00e3o precisamos buscar nos curar, sanar, superar. Muitas vezes, essas metas s\u00e3o inating\u00edveis, dependendo da gravidade da quest\u00e3o (como um luto, por exemplo, como superar um luto?), mas a qualidade de vida e a sa\u00fade mental podem estar no \u201csaber lidar\u201d. Aprender a lidar \u00e9 o caminho!<\/p>\n\n\n\n<p>Mas claro que tudo depende! Depende da gravidade, da intensidade do desequil\u00edbrio. A psic\u00f3loga Adriana Lopes Fernandez, especialista em traumas, \u00e9 enf\u00e1tica em observar que, em quadros mais graves \u2014 quando h\u00e1 desequil\u00edbrio qu\u00edmico significativo, risco de autoles\u00e3o, perda de contato com a realidade ou incapacidade de manter a rotina b\u00e1sica de autocuidado \u2014 a medica\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, a interna\u00e7\u00e3o podem ser indispens\u00e1veis para estabilizar a pessoa e preservar sua seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ela destaca que, em situa\u00e7\u00f5es mais leves ou moderadas, especialmente quando os primeiros sinais s\u00e3o identificados rapidamente, \u00e9 poss\u00edvel reverter ou melhorar o quadro sem o uso de medicamentos. Nesses casos, interven\u00e7\u00f5es como acompanhamento psicol\u00f3gico, mudan\u00e7as no estilo de vida, fortalecimento da rede de apoio e pr\u00e1ticas de autocuidado podem ser suficientes para restaurar o equil\u00edbrio mental, mantendo a vida di\u00e1ria ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Adriana destaca que vivemos tempos de muitos desafios, press\u00e3o, conflitos e sobrecarga emocional. O que realmente nos desgasta, na maioria das vezes, n\u00e3o \u00e9 o evento externo em si, mas a forma como o interpretamos e reagimos a ele. Como lidamos! \u201cNa inf\u00e2ncia, todos desenvolvemos defesas psicol\u00f3gicas para sobreviver a situa\u00e7\u00f5es que pareciam amea\u00e7adoras. Essas estrat\u00e9gias foram essenciais naquele momento, mas, na vida adulta, podem se transformar em barreiras r\u00edgidas que distorcem a realidade e aumentam o sofrimento\u201d, explica. Ela acrescenta que um simples acontecimento cotidiano pode se transformar em uma tempestade emocional interna. E, quando esse processo se repete por meses ou anos, o ac\u00famulo pode levar ao colapso mental.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quais s\u00e3o os caminhos para lidar antes que a crise se instale? Entre os v\u00e1rios caminhos, a psic\u00f3loga destaca: reconhe\u00e7a a defesa no momento &#8211; O que estou sentindo agora?&nbsp; Estou reagindo a algo real ou a uma lembran\u00e7a antiga? Minha rea\u00e7\u00e3o est\u00e1 proporcional ao que aconteceu? Ela recomenda investigar a raiz da emo\u00e7\u00e3o \u2013 medo, dor, tristeza, sentimento de impot\u00eancia&#8230; Quando reconhecidas e aceitas, essas emo\u00e7\u00f5es perdem a for\u00e7a destrutiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra solu\u00e7\u00e3o importante, segundo Adriana Fernandez, \u00e9 assumir a responsabilidade interna. \u201cO poder de transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em mudar as circunst\u00e2ncias externas, mas em modificar nossa resposta interna. Na minha experi\u00eancia cl\u00ednica, observo resultados muito significativos com o trabalho de autoconhecimento em terapias de grupo. Esse formato acessa dimens\u00f5es que, sozinhos, dificilmente conseguimos explorar com tanta profundidade. Mais do que um espa\u00e7o de fala, o grupo se torna um laborat\u00f3rio de rela\u00e7\u00f5es aut\u00eanticas, onde \u00e9 poss\u00edvel experimentar novas formas de estar no mundo e, assim, avan\u00e7ar de forma consistente na recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adriana-Fernandez_Easy-Resize.com_-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12312\" style=\"width:693px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adriana-Fernandez_Easy-Resize.com_-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adriana-Fernandez_Easy-Resize.com_-300x300.jpg 300w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adriana-Fernandez_Easy-Resize.com_-150x150.jpg 150w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adriana-Fernandez_Easy-Resize.com_-768x768.jpg 768w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Adriana-Fernandez_Easy-Resize.com_.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Dra. Adriana Fernandez<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas e quando a sa\u00fade mental extrapola o \u00e2mbito pessoal, familiar e dom\u00e9stico e atravessa a fronteira do trabalho, interferindo na produ\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o, como lidar? A psic\u00f3loga, Doutora em Psicologia Social, com mais de 30 anos de experi\u00eancia na doc\u00eancia universit\u00e1ria e gestora de Recursos Humanos, Dra. Ana Virg\u00ednia Santiago Ara\u00fajo, destaca que a sa\u00fade mental no trabalho \u00e9 um tema crucial, com estat\u00edsticas indicando que uma em cada cinco pessoas pode sofrer de algum problema de sa\u00fade mental no ambiente profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Dra. Ana Virg\u00ednia, essa realidade impacta diretamente no desempenho, na produtividade e na frequ\u00eancia ao trabalho. \u201cFatores como a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, chefias autorit\u00e1rias, falta de comunica\u00e7\u00e3o e excesso de press\u00e3o podem contribuir para o adoecimento mental. Por\u00e9m, colaboradores da chefia, que exercem press\u00e3o, tamb\u00e9m podem eles mesmo estar sofrendo com quest\u00f5es pessoais e press\u00e3o mental\u201d, explica. Deduzimos, com isso, que oprimidos e opressores vivem, muitas vezes, em um c\u00edrculo vicioso, ambos sofrendo com o comprometimento da sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Anavirginia_Easy-Resize.com_-1-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12320\" style=\"width:708px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Anavirginia_Easy-Resize.com_-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Anavirginia_Easy-Resize.com_-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Anavirginia_Easy-Resize.com_-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Anavirginia_Easy-Resize.com_-1-768x768.jpg 768w, https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Anavirginia_Easy-Resize.com_-1.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Dra. Ana Virg\u00ednia Santiago Ara\u00fajo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Dra. Ana Virg\u00ednia esclarece que a pessoa pode estar com a sa\u00fade mental comprometida, mas n\u00e3o se dar conta disso. O comprometimento pode come\u00e7ar de maneira discreta e persistente, insidiosa, de maneira que a pessoa s\u00f3 perceba quando a situa\u00e7\u00e3o se agrava at\u00e9 um n\u00edvel em que a funcionalidade geral da pessoa possa estar com algum grau de comprometimento. Em geral, esse quadro pode se estabelecer em situa\u00e7\u00f5es como ap\u00f3s uma perda na vida da pessoa, como o rompimento de um relacionamento significativo, que evoluiu a ter dificuldade de pegar no sono, irrita\u00e7\u00e3o com situa\u00e7\u00f5es cotidianas, inseguran\u00e7a para tomar decis\u00f5es simples, falta de concentra\u00e7\u00e3o, ou com dificuldades constantes e crescentes de se relacionar com colegas da equipe de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga ensina que quando pensamos em sa\u00fade mental comprometida, estamos diante de duas condi\u00e7\u00f5es principais: o sofrimento ps\u00edquico e o transtorno mental, que s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es diferentes, mas inter-relacionadas. \u201cDiferente do transtorno mental, o sofrimento ps\u00edquico \u00e9 um estado de mal-estar emocional e psicol\u00f3gico, que pode ser uma rea\u00e7\u00e3o normal, adaptativa frente \u00e0s situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis da vida, como perdas, estresse ou conflitos\u201d. Segundo a Dra. Ana Virg\u00ednia, o sofrimento ps\u00edquico varia de intensidade e dura\u00e7\u00e3o, dependendo da situa\u00e7\u00e3o que ocasionou e da pessoa. \u201c\u00c9 importante identificar e tratar a pessoa diante da persist\u00eancia ou aumento de intensidade do sofrimento ps\u00edquico, pois pode acarretar preju\u00edzos significativos no cotidiano e no desempenho profissional\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o transtorno mental \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, que causa sofrimento ou preju\u00edzo importante no funcionamento social, ocupacional ou em outras \u00e1reas importantes da vida da pessoa.&nbsp; O diagn\u00f3stico \u00e9 realizado por profissionais como psiquiatras e psic\u00f3logos, atendendo a crit\u00e9rios espec\u00edficos com base em manuais, por exemplo o Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais da Associa\u00e7\u00e3o Psiqui\u00e1trica Americana (DSM) ou o C\u00f3digo Internacional de Doen\u00e7as (CID).<\/p>\n\n\n\n<p>No transtorno mental podem estar alterados o humor, o pensamento, o comportamento e percep\u00e7\u00e3o. Em geral, o transtorno mental pode exigir tratamento m\u00e9dico e psicol\u00f3gico espec\u00edficos para cada condi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o exemplos de transtornos mentais: depress\u00e3o profunda, transtorno de ansiedade generalizada, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno obsessivo compulsivo, etc. Em geral, os transtornos mentais s\u00e3o identificados na adolesc\u00eancia e come\u00e7o da vida adulta. Os sintomas dos transtornos s\u00e3o mais f\u00e1ceis de perceber, o sofrimento ps\u00edquico \u00e9 mais \u201ccamuflado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que fazer se o sofrimento mental em decorr\u00eancia de quest\u00f5es particulares acarretam em preju\u00edzo ao desempenho profissional? O recomendado pela psic\u00f3loga \u00e9 procurar ajuda profissional como fundamental, para diagn\u00f3stico e tratamento. \u201cA base do funcionamento cognitivo \u00e9 emocional. Se estamos persistentemente tristes ou amedrontados, provavelmente n\u00e3o teremos a energia suficiente para resolver problemas, tomar decis\u00f5es, aprender coisas novas. Uma outra quest\u00e3o \u00e9 entender o pr\u00f3prio envolvimento com o trabalho: qual o significado do trabalho na vida da pessoa, qual o prop\u00f3sito pessoal que o trabalho realiza\u201d, indaga a psic\u00f3loga.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, em se tratando do aspecto profissional, a pessoa n\u00e3o precisa enfrentar seus desafios sozinhas. H\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es corporativas saud\u00e1veis, que promovem a cultura inclusiva, acolhedora e humanizada, incluindo est\u00edmulo \u00e0 criatividade e inova\u00e7\u00e3o, os cuidados com a sa\u00fade geral e monitoramento do n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o dos colaboradores. \u201cO investimento na forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da lideran\u00e7a inspiradora tamb\u00e9m contribui para que os relacionamentos sejam mais sadios, colaborativos e produtivos. \u00c9 importante o equil\u00edbrio entre as demandas e as possibilidades de execu\u00e7\u00e3o do trabalho, al\u00e9m do reconhecimento justo pela performance. Rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis no trabalho est\u00e3o relacionadas, positivamente, com a qualidade da comunica\u00e7\u00e3o interna, aberta, respeitosa e emp\u00e1tica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Dra. Ana Virg\u00ednia, o sofrimento, pelo trabalho, pode comprometer a qualidade da vida da pessoa, em todos os seus aspectos, com repercuss\u00f5es sociais evidentes, e vice-versa, a vida pessoal tamb\u00e9m repercute fortemente no trabalho. A pessoa que n\u00e3o est\u00e1 bem, do ponto de vista mental, precisa ser reconhecida e aceita, para receber o atendimento e apoios necess\u00e1rios \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Isto \u00e9 parte da responsabilidade social das organiza\u00e7\u00f5es. O importante \u00e9 n\u00e3o deixar passar, minimizando os efeitos. H\u00e1 que se aprender a lidar.<\/p>\n\n\n\n<p>Clique aqui para assistir a entrevistas com os profissionais citados nessa mat\u00e9ria:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Sa\u00fade Mental - Se n\u00e3o cuidar, ela pode faltar!\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jO0q8p3yv2A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>*Maria Isabel da Silva \u00e9 Jornalista no Instituto de Medicina F\u00edsica e Reabilita\u00e7\u00e3o do HC FMUSP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":10,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-12306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12306"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12306\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12439,"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12306\/revisions\/12439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/redelucymontoro.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}