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Daniel Nunes de Oliveira nunca imaginou que chegaria a defender a camisa da Seleção Brasileira. Principalmente após sofrer um acidente de motocicleta aos 12 anos, no qual teve a perna direita amputada. Mas a vida, em suas inúmeras surpresas, o encaminhou para a reabilitação na Rede Lucy Montoro e para a concretização de um sonho.

Hoje, aos 16 anos, Daniel é, desde o início de março, um dos jogadores convocados para a Seleção Brasileira de Futebol para Amputados. A modalidade ainda não faz parte das competições oficiais dos Jogos Paralímpicos, mas 2020 está logo aí, e a torcida é grande para o reconhecimento dessa importante categoria, ao lado do Futebol de 5.

Daniel sempre jogou futebol, e sempre se destacou. Antes do acidente, praticava o esporte com frequência e passava instruções para outros meninos que queriam jogar tão bem quanto ele. Quando sua rotina mudou - o adolescente chegou a ficar sete dias no hospital - o processo de aceitação aconteceu aos poucos, até que se desse conta de que precisaria se adaptar à nova situação.

Daniel

Em reabilitação na Rede Lucy Montoro desde 2016, Daniel foi “re-apresentado” ao futebol durante o atendimento no Serviço de Condicionamento Físico. Foi na instituição que o atleta conheceu a educadora física da equipe multidisciplinar da Rede, Érica Castro. Érica é técnica de futebol na Associação Bola pra Frente Esportes Adaptados, do qual faz parte o time no qual Daniel passou a treinar.

O contato com a equipe da Associação lhe trouxe uma nova vida, reconhece Daniel. “Antes eu me sentia muito só. Eu também tinha medo de jogar com os outros caras, e agora eu me sinto mais seguro”, afirma. O Esporte Adaptado é uma das frentes da Rede Lucy Montoro para apresentar a pacientes e ex-pacientes um novo cotidiano, adaptado e com muitas possibilidades.

Quanto à experiência no time brasileiro, o jovem, que é o atleta mais novo do time, não esconde a expectativa. “Eu estou muito ansioso. Na seleção, tem pessoas de todas as idades.” A dedicação de Daniel é grande: se mudou com a família de Governador Valadares, MG, para Santa Isabel, SP, onde participa do programa de reabilitação da Rede e treina nos seus dois times. E qual jogador que mais o inspira? Ninguém mais, ninguém menos do que o craque internacional Ibrahimovic.

Rumo a 2020

Mas não é só Daniel que desenvolveu seu potencial esportivo no dia a dia da reabilitação da Rede Lucy Montoro. Douglas da Costa tem 19 anos e é um paciente se preparando para representar o Brasil nos próximos Jogos Paralímpicos.

Douglas


Paciente da Rede desde 2015, Douglas perdeu o braço em 2014, por conta de um choque, enquanto empinava pipa. Na reabilitação, o Serviço de Condicionamento Físico identificou seu talento e o estimulou a praticar esporte. Valeu a pena: hoje, Douglas treina com o ídolo brasileiro, grande medalhista do Brasil em Paralimpíadas e recordista mundial, Daniel Dias.

A natação se fez presente na vida de Douglas por acaso, pois nem antes do acidente costumava nadar. E, após perder o braço, tinha receio de entrar na água e não conseguir se manter à tona. No entanto, durante o programa de reabilitação, teve seu potencial reconhecido e foi convidado a praticar natação, onde chamou atenção e acabou entrando em um treinamento para ser atleta de alto-rendimento.

Representar o Brasil nas Paralimpíadas de 2020 pode ser um caminho natural na trajetória de Douglas. A alegria e a vontade de participar dos treinos e alcançar o nível das competições são fáceis de serem percebidas quando se conversa com o atleta. “Eu me sinto muito melhor quando faço natação”, relata o jovem. “Estou treinando bastante, e com atletas com diversos tipos de deficiência”.